quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Olivia

Eva queria conseguir responder-te sem parecer saber mais do que tu em relação às dores da vida ou sem querer parecer entendida em assuntos em que não sou. Até porque és frontal e se calhar eu dizer alguma lamechiçe só porque não me ocorre nada sábio para dizer vais achar que sou arrogante, imprecisa, despreocupada com a  tua dor e, parcialmente, alimentada por ela. E tens razão. Seremos todos assim?
Devia ser eu bastante mais fria que tu....ai espera, acho que sou. Porque tu não és propriamente fria, não congelaste na dor, és só socialmente inconveniente. E eu não. Eu faço tudo bem feitinho. Não é? Little Miss Perfect. Oh how irritating! Mas é verdade. Antes de saber falar bem já sabia colocar os talheres certos na mesa e sabia com que copo se embebedavam os convidados com vinho e em qual se servia água. Sou fútil na dor. Até a dor pode ser fútil. Pode doer-me a alma e eu digo que me dói a cabeça, que estou enjoada, que me custa respirar, que estou assim porque o tempo mudou. Que futilidade. Vês que comecei a falar da tua dor para passar logo para a minha dor Eva? Que merda! Agora, ainda por cima, vou dizer que me sinto mal porque não te dei a atenção devida e novamente caio no mesmo erro. Egoísmo. Fútil e egoísta.
A minha mãe chamou-me agora mesmo para apontar um erro que cometi e fê-lo em frente ao meu pai. Podia tê-lo feito de outra forma. Mas não. Humilhação pública. Excellent strategy and her favorite. Tudo o que disse acima sobre mim podia tê-lo dito sobre a minha mãe. Só agora é que me ocorreu isto. Não estou a dizer que sou assim por causa dela. Sou assim porque não sou capaz de ser diferente dela.

Sem comentários:

Enviar um comentário