Ontem o meu namorado disse-me que eu era parecida contigo Olivia. Na altura qualquer coisa mexeu dentro de mim mas não dei grande importância. Hoje acordei enraivecida, ressentida, a cerrar a boca e a maldizer os homens. Não sabia porquê. Questionei-me. Achei estranho não me apetecer falar com o meu namorado. Liguei os assuntos, tentei perceber se havia correlação. Não perdi muito tempo a perceber se fazia sentido sentir o que sentia. Acho que a culpa ataca-te mais a ti. Estou certa?
Conhecemo-nos desde a escola secundária. Sempre te achei bonita, energética, dinâmica, um bocadinho namoradeira de mais. Também não percebia muito bem porque é que nunca te apaixonavas. Eu apaixonava-me bastante mas era muito mais tímida do que tu. Eu amava e tu deixavas que te amassem. Já nos zangámos muitas vezes. Eu ofendia-te, dizias-me. Está certo. Eu ofendo pela participação e tu pela ausência dela.
Não era de ti que estava com raiva hoje de manhã. Isso já percebi. O que me inquietou foi o meu namorado dizer-me que me pareço com alguém que não sou. Mas não serei? Mas também sou eu, certo? Ou seja, ele viu em mim partes de ti. Fiquei ofendida. Mas ele tem razão. Tem razão num aspecto: com homens que eu amo sou pouco frontal, falo pela metade, ofendo-me a dobrar, sou mais sensível, tenho muitos telhados de vidro. Achei estranho ele ver com tanta clareza um lado que eu acho ser muito menos meu. Depois pensei - mas porque é que ele não vê a Eva? Ele não vê a Eva como o meu pai não vê a Eva. Como é que o meu pai não vê a Eva? Sempre achei que o meu pai não queria ver a Eva...mas será que a Eva não queria ser vista pelo pai? E porque é que não queria? Será que nunca quis? Será que não podia?
Talvez a Eva tenha um papel menor quando quer ser amada, apreciada, querida, e, talvez até diga menos, fale menos, ofenda menos. Para ser mais amada... Infelizmente não tem funcionado nesta proporção. Errei na fórmula Olivia. E agora? Como é que posso ser vista sem me perder?
Sem comentários:
Enviar um comentário