terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eva

Não sei muito bem o que é participar num blog. Lançar conteúdos que possam ser úteis a outros. Escrever palavras que ajudem. Acho que a minha contribuição aqui é dizer verdades. Pelo menos foi assim que a M. classificou o meu perfil - honesta. Bruta! Pois, bruta seria mais honesto. É que não gosto de dizer as coisas pela metade, não gosto de ficar com palavras presas na garganta e perder três dias a pensar no que ficou por dizer. Sou a Eva. Sou bruta. Só com palavras. Tenho um aspecto frágil e febril, tenho ar de cantora de música folk. A minha psicóloga diz que dissociei porque não gostava que os homens olhassem para mim na rua, que o meu pai bebesse e que a minha mãe cantarolasse enquanto ele bebia. Não sei se a ordem está certa. Acho que primeiro o meu pai começou a beber, depois a minha mãe começou a cantarolar e, por fim, eu sentia-me incomodada a caminho do secundário com os olhares dos homens.
Não sou gratuitamente bruta. Sou só necessariamente frontal. Digo a verdade. Adoeci há quatro dias porque estou dividida. Estou sempre dividida e nem sempre adoeço. Mas desta vez adoeci. Estou confusa, sinto-me reprimida e infantilizada. Sinto que não fiz nada na vida e que nada farei. Tenho 34 anos. Tenho um namorado que vive longe. Não sei porque estou confusa e por isso nem bruta consigo ser. Agora não me apetece escrever mais.

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